Carlos Berkenbrock

berkenbrock0106/01/2011 – Carlos Berkenbrock é um catarinense com sobrenome de difícil pronuncia, nasceu na comunidade Toca Grande em Rio do Oeste, cidade no Alto Vale do Itajaí, na microrregião de Rio do Sul, a 276 km de Florianópolis. Nesta pequena cidade de pouco mais de 7.000 habitantes a cultura italiana prevalece entre os moradores, a família Berkenbrock não é diferente, porém um ingrediente a mais com a mistura de raças é o diferencial, o pai tem origem alemã e mãe é de origem italiana.

Em 1986 o rioestense Berkenbrock foi enviado pelos pais que são muitos religiosos para estudar no seminário onde permaneceu até 1991. Roma perdeu um futuro PAPA mas a Fifa ganhou um excelente assistente.

Leia abaixo a entrevista completa do representante Fifa de Santa Catarina.

1 – Qual é o seu nome completo e a origem da sua família?

R: CARLOS BERKENBROCK, minha família é de origem alemã por parte de pai e italiana por parte de mãe, meus avos paternos nasceram em Vargem dos Cedros município de Tubarão e meu avos maternos em Rodeio, já meus pais em Rio do Oeste – SC.

2 – Em que ano e onde nasceu?

R: Nasci em 1972 na cidade de Rio do Oeste – SC, numa comunidade chamada Toca Grande, comunidade agrícola onde meus pais moram ate hoje.

3 – Qual é sua profissão fora do futebol?

R: Sou advogado, especialista em direito Previdenciário.
4 – É casado? Qual o nome de sua esposa?
R: Sou casado com Fabiana Irene Semeoni.

5 – Tem filhos? quais os nomes e idades deles?

R: Tenho dois filhos: Carlos Augusto Semeoni Berkenbrock com 07 anos (21/09/2003) e Arthur Henrique Semeoni Berkenbrock, 04 anos (Hoje). (31/12/2006).

6 – Fale de seus pais.

R: Meus pais são agricultores, hoje aposentados, moram numa pequena comunidade do município de Rio do Oeste, muitos simples e religiosos, não tive a oportunidade de conviver mais do que a minha adolescência com eles, pois com 14 anos sai de casa para estudar ingressando no seminário e de lá com 19 anos sai já para morar e fazer faculdade em Rio do Sul.

7 – Ingressou no seminário com a intenção de ser padre?

R: Na época sim, tinha a intenção de ser padre, fiquei no seminário dos 14/15 aos 19/20 anos. Com o passar do tempo percebi que minha vocação não era tão forte assim e acabei desistindo da idéia.

8 – Como conciliar arbitragem, trabalho e família?

R: Hoje é um pouco complicado para eu conciliar tudo, família, trabalho e a arbitragem, porém estou conseguindo. Graças a Deus tenho uma esposa que me compreende e me apóia, me da o suporte com os filhos, cuida da casa com muito amor e carinho. No escritório também tive a sorte de ter sócios competentes e compreensivos, e com a ajuda dos funcionários os processos estão sendo bem conduzidos. No ano de 2010 foram 50 partidas em todas as competições profissionais que participei, então fica um pouco complicado para conciliar tudo.

9 – Jogou futebol profissional ou amador?

R: Joguei só amador, como comentei antes fui seminarista e lá tínhamos futebol todos os dias e muitos jogos nas comunidades que visitávamos. Quando sai do seminário joguei em dois times amadores de Rio do Oeste, porém não por muito tempo porque já no primeiro ano fora entrei para a arbitragem e acabei parando de jogar, por coincidência o primeiro torneio da Liga Riosulense que eu jogaria foi no que estreei como Assistente.

10 – Tem algum familiar no meio esportivo?

R: Atualmente não tenho nenhum familiar no meio esportivo, meu avô jogou futebol e chegou a ser sondado pelo Grêmio de Porto Alegre quando novo, porém o pai dele não o deixou seguir a carreira que na época não era lucrativa, ai quando ele chegou a Rio do Oeste ele fundou um time amador que tem até hoje chamado Haiti Futebol Clube, meu pai e tios também jogaram nesse time, e eu também defendi em alguns torneios, hoje meu avô da ou empresta o nome ao estádio desse clube.

11 – Em que ano e onde se formou árbitro?

R: Eu comecei na arbitragem em 1992 na Liga Riosulense de Futebol, porém fiz meu curso em 1995 quando ingressei na Federação Catarinense de Futebol, o curso naquele ano foi realizado na cidade de Indaial-SC pela Federação Catarinense.

12 – Qual foi a primeira partida como árbitro?

R: A primeira partida como árbitro foi como Assistente pela Liga Riosulense de Futebol entre as equipes do Avaí FC (Lontras) X Ouro Verde FC (Rio do Sul), arbitrada pelo já Falecido Sebastião Garcia, que foi quem me levou a primeira reunião da Liga e me encaminhou para ser árbitro.

13 – Quando estreou na Serie A catarinense e na Serie A do brasileiro?

R: Entrei na Federação Catarinense no ano de 1995, mas estreei na Serie A do Catarinense em 1997, como árbitro no jogo Atlético Alto Vale x Avaí. NA Serie A do Brasileiro estreei em 1997 no jogo de abertura da Serie A daquele ano entre Grêmio X São Paulo no Olímpico em Porto Alegre, no dia 05/071997.

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14 – Qual é a sua relação com o Sindicato dos Árbitros de Santa Catarina?

R: A minha relação com o Sinafesc é muito boa, tenho uma relação muito bom, clara e aberta com o presidente e demais membros da diretoria, sempre que posso dou minha opinião e sugestões e apoio quando necessário. Tenho liberdade para criticar e elogiar.

15 – Na sua opinião o sindicato da o apoio necessário aos árbitros do estado?

R: Dentro das limitações o sindicado atende muito bem as necessidades dos árbitros de Santa Catarina, tenho certeza que se não fosse essas limitações, financeiras, distancias entre outras atenderia muito melhor, a diretoria faz milagres com o que tem na mão isso é louvável e digno de elogios pelos árbitros de Santa Catarina. Aqui ainda cabe lembrar o apoio que o sindicato da aos árbitros que vem de outros estados trabalhar em SC, eu que vou em muitos estados trabalhar ouço elogios ao apoio dado pelo Sinafesc aos que aqui vêem.

16 – Como é a preparação da arbitragem catarinense se comparada com a dos maiores estados do Brasil?

R: A preparação da arbitragem de Santa Catarina esta no nível de outros estados do Brasil, claro que comparando com os estados que tem a mesma estrutura, não podemos comparar com os estados que tem uma estrutura muito maior como no caso de São Paulo e Rio, como também nos clubes, mas dentro do contexto Santa Catarina sai na frente de muitos estado do Brasil, sendo um dos poucos que tem escola de arbitragem, bem montada, bem conduzida e formando anualmente árbitros novos.

17 – O que espera da Anaf sendo que o novo presidente é aqui do nosso estado?

R: Espero da Anaf o trabalho que todos os árbitros do Brasil esperam, que seja feito algo pelo árbitro, já que vimos uma desastrosa administração anterior, mas tenho certeza que será uma grande administração a do Marco, assim como fez a frente do nosso sindicato, fará a frente da ANAF.

18 – Em Santa Catarina não temos um árbitro Fifa, isso prejudica a sua carreira a nível nacional?

R: Não acredito que a falta de árbitro Fifa em Santa Catarina prejudique a minha carreira, pelo menos na gestão do Presidente Sérgio Corrêa não esta acontecendo, pois tenho trabalhado normalmente com outros árbitros Fifa e Aspirantes, contudo seria excelente para a Arbitragem Catarinense como um todo a vinda de um escudo Fifa pra cá. Temos o Célio como Aspirante e esperamos que ele possa angariar esse escudo.

19 – Quais prêmios de melhor assistente de campeonato já ganhou?

R: Do campeonato catarinense nos últimos três anos, ganhei por duas vezes como melhor e uma vez como segundo melhor, no Brasileiro já fui eleito por sites especializados em arbitragem (www.apitonacional.com.br) como melhor do Brasileiro em 2009.

20 – Você trabalhou este ano na partida em que o Vitória foi rebaixado para a segunda divisão, houve muita pressão em cima da arbitragem nessa partida?

R: Essa partida foi a mais difícil que fiz das 23 da Serie A deste ano, pelo clima, pela responsabilidade e acho que 99% dos árbitros do Brasil torciam para não estar nesse jogo. Pressão externa não houve em nenhum momento, houveram as instruções normais que o jogo exigia, porém ouve a nossa pressão a nossa cobrança, a pessoal, num jogo onde não podíamos errar nem lateral e foi o que aconteceu, com a Graça de Deus, acertamos em todos os lances e saímos do jogo sem contestação, sem reclamação, mesmo o time mandante tendo sido rebaixado.

21 – Qual é o estádio mais difícil de se apitar uma partida de futebol no Brasil?

R: Hoje em dia com o Estatuto do Torcedor melhorou muito para a equipe de arbitragem nos estádios do Brasil, houveram melhoras, não se tem mais o arremesso de objetos em campo, isso melhorou muito, em estádios que a torcida ficava muito próxima e arremessando objetos houve uma considerável melhora, posso citar o Alfredo Jaconi, a Vila Belmiro, o Nabi Abichedi dentre outros.

22 – Você já passou algum sufoco para sair de algum estádio?

R: Já, já passei sim, “árbitro que nunca saiu de camburão nunca apitou futebol”, diz o ditado. A situação mais difícil que passei foi no estádio do Juventude, no jogo Juventude x Paraná, pela Serie A, quando os dois lutavam contra o rebaixamento e o jogo acabou empatado, de lá só saímos de camburão e pelos fundos do estádio.

23 – Você trabalhou em 23 partidas da serie A e 3 da serie B do campeonato brasileiro deste ano, faça um balanço dessas partidas.

R: Esse ano foi um ano bom, com três exceções na serie A, houveram três erros em três partidas nesse ano, na partida Palmeiras x Grêmio, Santos x Corinthians e Internacional x Santos, nas demais, inclusive na serie B, forma muito boas sem erros determinantes.

24 – Qual foi o seu jogo mais importante?

R: O Jogo mais importante foi a Final do Campeonato Brasileiro de 2009, entre Flamengo x Grêmio no Maracanã, lotado, mais de 80 mil pessoas, e o Flamengo ficou campeão.

25 – E o jogo à ser esquecido?

R: Sem duvida nenhuma Palmeiras x Flamengo em 2002.

26 – Porque?

R: Esse jogo é para ser esquecido pois ambos os assistentes, do qual um era eu, erramos, e em lances capitais, influenciando no resultado. O jogo deveria terminar 2 x 0 para o Flamengo e acabou em 1 x 1. Dei um gol do Palmeiras onde o jogador estava em posição de impedimento e o outro assistente anulou um gol legal do Flamengo. Fomos punidos, sendo a 20 rodada do Brasileiro, restavam ainda 4, eu já havia bandeirado 17 partidas com aquela, fiquei fora ate o ano seguinte. Pior que o árbitro tinha feito um jogo excelente e acabamos prejudicando o trabalho dele, isso nos doeu mais do que a própria punição.

27 – Por pertencer a Fifa e com méritos, você se tornou a maior estrela da arbitragem catarinense. Traçou este plano no inicio da carreira ou aconteceu naturalmente?

R: NA arbitragem você sempre tem que ter objetivos, sonhos e correr atrás deles, pois se você nada almeja não vai chegar a lugar algum. Quando comecei na arbitragem meu objetivo erra chegar na Federação catarinense, da federação a CBF veio meio de supetão sem esperar a época, procurei me firmar e consegui. A Fifa eu persegui desde 2002, quando fiz meu primeiro teste, chegando em 2009, pensava em chegar a Fifa e com isso planejei minha vida, inclusive me mudando de Rio do Sul para Itapema para tornar mais fácil a logística de deslocamento aos aeroportos.

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28 – O que acha dos testes físicos padrão FIFA?

R: Os testes padrão Fifa são mais fáceis que os anteriores, qualquer árbitro treinando faz com facilidade esse teste.

29 – Alguma vez já foi reprovado em um teste físico?

R: Não, nunca fui reprovado em teste físico, e Graças a Deus nunca tive lesão também

30 – O que pensa sobre o uso da tecnologia?

R: Acho que o uso da tecnologia deve ser visto com cuidado e implantado gradativamente para não tirar o espírito esportivo do futebol para não tornar uma coisa mecânica, tirando o brilho, a discussão a emoção que move o futebol.

31 – Hoje está mais difícil para o assistente com câmeras exclusivas para eles e tantas outras espalhadas nos estádios?

R: Esta sim, muito mais difícil, porém por outro lado esta mais fácil para nós assistentes provarmos que estamos certos, pois quando não tinham as câmeras os assistentes não conseguiam sair dos estádios se anulassem um gol num lance duvidoso, hoje não, se errou vai ter dificuldade, porém se acertou em poucos minutos todos estão sabendo que o assistente estava certo e as reclamações terminam, só para ilustrar fiz um jogo ano passado no campeonato Brasileiro onde tínhamos no campo de jogo 42 câmeras.

32 – Este ano, o gaúcho Carlos Simon teve o final de carreira dos sonhos de qualquer árbitro apitando na Copa do Mundo e os principais jogos do país incluindo a final. A sua aposentadoria esta distante, mas se você pudesse montar um cenário perfeito para a sua última partida como e onde seria?

R: Se pudesse montar, seria uma final de campeonato, não sei, uma partida da Copa de 2014, Olimpíada de 2016, ainda não pensei nisso, deixa chegar mais perto, (hehehe).

33 – Quem é o árbitro modelo para você?

R: Em atividade hoje gosto muito dos dois Brasilienses, Sandro Meira Ricci e Wilton Sampaio, além do Heber Roberto Lopes e o Wilson Seneme, acho os melhores em atividade. Dos que já pararam, tenho o Márcio Rezende de Freitas como referencia, trabalhei muito com ele, ele ficou 5 anos aqui em Santa Catarina. Dos assistentes hoje procuro me espelhar no Roberto Braatz e no Altemir Hausman, em atividade, dos que já pararam, cito como referencia Alcides Zavaski Pazeto, o melhor com quem trabalhei, o recente aposentado Ednilson Corona, e mais o Milton Otaviano e o Jorge Paulo de Oliveira Gomes.

34 – Você foi convocado para trabalhar no inicio de 2011 no torneio Sul-americano Sub-20 no Peru. Essa convocação o coloca na briga pela copa de 2014?

R: Acredito que essa convocação é um dos passos a ser dado em direção a 2014. O caminho até a copa de 14 é longo e só com um trabalho bem feito e etapas cumpridas posso chegar lá, considero esse torneio como o primeiro grande passo, a grande oportunidade para mostrar capacidade e um bom trabalho para entrar definitivamente na Briga por uma das vagas para 2014.

35 – Que dicas você dá para quem esta começando?

R: Alguns árbitros que estão começando já conversam comigo, seja via e-mail, msn ou telefone e sempre digo as mesmas coisas, sempre deixo como dica a eles, trabalhem, trabalhem sempre, cada dia mais duro, treinem muito e tenham paciência, façam um jogo após o outro, sem querem fazer a final antes do jogo de abertura do campeonato. Trilhem suas carreiras em formas sólidas, pois dessa maneira os problemas encontrados na carreira serão facilmente ultrapassados. Temos muitos exemplos de carreiras meteóricas que o árbitro chegou em poucos dias a elite e no mesmo tempo caiu no esquecimento, arbitragem é como em qualquer outra profissão, você tem que firmar seu nome, colocar uma boa base para conseguir levar a carreira ate o final com competência e seriedade. Sejam persistentes, sérios, compreensivos, competentes e fortes pois só assim chegaram ao topo.

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